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Pressão do mercado reflete desconfiança com nova política econômica de Lula




O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) jogou gasolina na fogueira do mercado financeiro ao fazer declarações minimizando "a tal responsabilidade fiscal", na sua primeira visita ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, sede do governo de transição. A reação negativa foi imediata, em um claro sinal de descontentamento dos agentes financeiros pela falta de definição de Lula sobre quem comandará a equipe econômica.


Lula já avisou que só tratará de nomes para o futuro ministério depois que retornar da Conferência do Clima — COP27 —, no Egito, mas os agentes do mercado sentem calafrios com a possibilidade de o presidente indicar nomes como os ex-ministros petistas Guido Mantega, Aloizio Mercadante e Fernando Haddad. Ontem, em entrevista à Globonews, Mantega disse que não será ministro novamente.


Apenas o economista Pérsio Arida, um dos pais do Plano Real, é considerado pelos analistas como defensor efetivo da responsabilidade fiscal na equipe de transição.


A preocupação do novo governo com a questão fiscal é uma das exigências dos agentes financeiros — os bancos são os principais credores da dívida pública — a fim de evitar uma forte oscilação nos indicadores de confiança do país, como Bolsa, câmbio e prêmios de risco dos títulos públicos. Não à toa, após a fala de Lula, o Tesouro Nacional precisou interromper as negociações devido à alta volatilidade dos títulos públicos, a Bolsa de Valores de São Paulo (B3) escorregou mais de 3% e o dólar disparou mais de 4%. No dia seguinte, vários bombeiros entraram em ação para minimizar o estrago e alguns petistas até se surpreenderam com a reação.


Até mesmo Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda do governo Michel Temer (MDB) e ex-presidente do Banco Central no governo Lula - uma das apostas do mercado para chefiar a Fazenda a partir de 2023 - demonstrou preocupação com as declarações do presidente eleito e com as sinalizações em torno da proposta de emenda à Constituição (PEC) que vai abrir espaço fiscal para o novo governo. Em evento fechado do banco BTG Pactual, que teve algumas frases vazadas entre operadores, Meirelles admitiu estar "mais pessimista" após as declarações do presidente eleito que, segundo ele, indicam um direcionamento parecido com o que foi o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).


"O Lula estava fechado, não dizia nada, não queria desagradar ninguém. Hoje, começou a falar. Aí, ele começou a sinalizar uma direção à Dilma. Ele está fazendo uma opção que é a mais fácil, de agradar lá dentro", disse Meirelles, em declaração registrada em relatório que circulou entre os agentes de mercado, apontando que o presidente eleito "ainda pode corrigir o rumo e abrir um espaço um pouco maior para as pessoas que têm mais bom senso". O maior problema apontado por Meirelles "não será o ajuste de 2023, mas o de 2024 em diante". E apontou o caminho: "eu acho que tem solução, que é a reforma administrativa".


Ele ainda reforçou um ajuste fiscal que passe pelo corte "de benefícios para as empresas que não se justificam mais". Procurado pelo Correio, Meirelles minimizou a repercussão da comparação de Lula com Dilma e assegurou que a informação "não procede". "Saindo de uma reunião destas, cada um dos 30 participantes fala o que quer", contemporizou.


Ao comentar sobre a reação do mercado às declarações de Lula, Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, defendeu a necessidade de o presidente eleito indicar logo quem será o futuro ministro da Fazenda, pasta que será recriada juntamente com o Ministério do Planejamento no futuro governo. "Lula está no palanque ainda. Precisamos saber quem vai ser o ministro da Fazenda para apagar os incêndios que Lula causa", disse Vale. Na avaliação dele, dos 16 nomes para a área econômica, apenas Pérsio Arida parece demonstrar real preocupação com a questão fiscal. "Isso traz riscos grandes no gerenciamento à frente", alertou o economista da MB.


Fonte: Correio Braziliense.


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